O Instituto Nacional de Educação Especial (INEE) anunciou que Angola conta atualmente com 44.916 alunos com necessidades educativas especiais, assistidos por 6.871 professores especializados. Os dados foram divulgados durante a Conferência Internacional FBAI sobre Educação Especial, realizada em Luanda, que reuniu especialistas, representantes do governo e organizações parceiras.
A diretora do INEE, Janice Neves, reconheceu que, apesar dos avanços, o número de professores especializados ainda é insuficiente para atender à crescente demanda. Atualmente, o país dispõe de 1.664 escolas inclusivas, 292 núcleos de apoio à inclusão e 22 escolas especiais. Além disso, foram formados 192 professores em educação inclusiva no âmbito da cooperação com o Brasil.
Entre os principais desafios apontados estão a segregação, o acesso às infra-estruturas e a necessidade de formação contínua de professores. Janice Neves destacou a importância das salas de recursos multifuncionais, que oferecem apoio especializado adaptado a cada tipo de deficiência, como uma estratégia eficaz para a inclusão de crianças com deficiência nas escolas regulares.
A presidente do Conselho de Administração da Fundação BAI, Inokcelina de Carvalho, enfatizou a importância do compromisso entre o governo e os parceiros para garantir uma educação de qualidade para todos. A conferência abordou temas relacionados à educação especial, com foco nos avanços, lacunas e desafios na busca por uma educação verdadeiramente inclusiva em Angola.
A Política Nacional de Educação Especial, orientada para a Inclusão Educativa, estabelece como estratégia a transformação das escolas especiais em Núcleos de Apoio à Inclusão (NAI), com o objetivo de apoiar a rede de escolas da educação geral por meio de formação continuada e produção de materiais.
Apesar dos esforços, o país ainda enfrenta um déficit significativo de professores e infra-estruturas. Segundo a ministra da Educação, Luísa Grilo, Angola necessita de mais de 2.500 escolas e 60 mil professores para atender adequadamente à demanda educacional.
A implementação de políticas inclusivas e a capacitação contínua de profissionais são fundamentais para garantir o direito à educação de crianças com necessidades especiais, incluindo aquelas com transtorno do espectro autista. A colaboração entre governo, instituições educacionais e sociedade civil é essencial para promover uma educação equitativa e de qualidade para todos.


